quinta-feira, 10 de março de 2011

The Cure - Lullaby

Gosto muito dessa música.

terça-feira, 8 de março de 2011

Deus está te olhando.


fonte: http://www.umsabadoqualquer.com/

Origens do Dia Internacional da Mulher

A proposta de perpetuar o 8 de março como Dia Internacional da Mulher foi feita no ano de 1921, em homenagem aos acontecimentos de Petrogrado

A origem do Dia Internacional da Mulher, data significativa na luta pelos direitos das mulheres, vem sendo distorcida no Brasil e em diversos países. Na cobertura midiática, o dia 8 de março é associado a um incêndio que teria acontecido em 1857 em Nova York e provocado a morte de 129 trabalhadoras têxteis. Elas teriam sido queimadas como punição por um protesto por melhores condições de trabalho.
É importante destacar que houve, de fato, um incêndio, só que em 25 de março de 1911 e de forma diferente da narrada pela imprensa.

As chamas começaram quando um trabalhador acendeu um cigarro perto de um monte de tecidos e alastraram-se rapidamente. As portas das escadas de incêndio estavam trancadas por fora, para evitar que os funcionários saíssem mais cedo. O saldo foi de 146 vítimas fatais, 13 homens e 123 mulheres.
No edifício, funciona hoje a Faculdade de Química da Universidade de Nova York. O incêndio na Triangle Shirtwaist Company foi importante para a melhoria das condições de segurança de trabalhadores como um todo, e não apenas das mulheres, já que também havia homens entre as vítimas.


Um ano antes, em 1910, durante o 2º Congresso Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhague, a alemã Clara Zetkin propôs que fosse designado um dia para a luta dos direitos das mulheres, sobretudo o direito ao voto.


Ou seja, o Dia Internacional da Mulher já existia antes do incêndio, mas era celebrado em datas variadas a cada ano.


Para compreender a escolha do 8 de março, remontamos ao dia 23 de fevereiro de 1917, 8 de março no calendário gregoriano. Naquela ocasião, as mulheres de Petrogrado, convertidas em chefes de família durante a guerra, saíram às ruas, cansadas da escassez e dos preços altos dos alimentos. No dia seguinte, eram mais de 190 mil.


Apesar da violenta repressão policial do período, os soldados não reagiram: ao contrário, eles se uniram às mulheres.


Aquele protesto espontâneo transformou-se no primeiro momento da Revolução de Outubro. A proposta de perpetuar o 8 de março como Dia Internacional da Mulher foi feita em 1921, em homenagem aos acontecimentos de Petrogrado.


Mas, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, em decorrência dos interesses do poder no período, seu conteúdo emancipatório foi se esvaziando. No fim dos anos 1960, a data foi retomada pela segunda onda do movimento feminista, ficando encoberta sua marca comunista original. Em 1975, a ONU oficializou o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.


Para além da distorção dos fatos históricos, um aspecto diferencia fundamentalmente a participação das mulheres nos dois episódios.


No incêndio da Triangle Shirtwaist, a mulher é vítima da opressão dos patrões e do fogo. Já nos protestos de 1917, ocupa uma posição de protagonismo. Encoberto, o fato deixa de mostrar a participação política das mulheres na construção de uma revolução que tem papel importante para a história mundial.



ADRIANA JACOB CARNEIRO, jornalista, é mestranda do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia e pesquisadora em gênero e mídia do grupo Miradas Femininas.

Publicado no Jornal Folha de São Paulo- 08/03




Hieronymus Bosch- O Fim do Feudalismo

Segue abaixo alguns quadros do artista holandês Hieronymus Bosch, que viveu entre o século XV e XVI. Não conhecia sua arte, mas após ler o texto no site da Esquerda Marxista, me interessei muito.

Logo, resolvi postar alguns quadros dele aqui:




segunda-feira, 7 de março de 2011

'DEATH NOTE': MATAR PARA MUDAR?

Segue abaixo meu texto sobre o anime Death Note, publicado no site: http://www.marxismo.org.br/index.php

“As idéias da classe dominante são, em todas as épocas, as idéias dominantes.”
(Karl Marx e Friedrich Engels, A ideologia alemã)

Death Note (“Caderno da Morte”) é um anime (desenho animado japonês) que conta a história de um caderno com o poder de matar. Basta o possuidor escrever o nome da vítima e ter em mente o seu rosto. Feito isso, depois de alguns minutos a pessoa em que se pensou está morta.

A trama começa com um jovem estudante chamado Raito (O nome correto é Light - Luz, do inglês - entretanto, em razão das peculiaridades do idioma japonês, a pronúncia é Raito) que encontra o caderno no chão. Ao descobrir seu poder, ele resolve usá-lo em favor da “justiça”, o que ele pensa ser justiça, pois está revoltado com o aumento da violência em seu país.

Em posse do caderno, a idéia é matar todos os criminosos. Mata todos que infringem a lei, do ladrão de galinha ao engravatado.

“Todos os criminosos devem morrer para ser feita a justiça”.

Essa é uma idéia muito comum e pode agradar muitos jovens. Num primeiro momento pode se pensar: “Os bandidos estão livres para fazer o que quiserem. Alguns tiros não fariam mal. A pena de morte pode funcionar. O exército na rua, como hoje acontece no Rio de Janeiro, também pode ajudar a terminar com o crime.”

Isso é o que a burguesia (grandes empresários e latifundiários) quer que pensemos. Que não existe saída para o combate ao crime que não seja por meio repressivo.

Mas por que ela quer que pensemos isso?

Porque a origem do crime está na desigualdade social e na ideologia do sistema capitalista.

Vivemos em uma sociedade capitalista, em que uma pequeníssima parcela da população, a burguesia, domina e explora a grande maioria. Enquanto eles têm bilhões, casas luxuosas e as melhores escolas, os trabalhadores nem casa possuem e vivem muitas vezes em condições desumanas.

A propaganda capitalista tenta convencer os trabalhadores de que é preciso trabalhar mais e mais, consumir mais e mais e que todo mundo pode ser rico. Mostram seu padrão de vida como “modelo ideal” de felicidade.

O que não mostram é que esse modelo é impossível de ser atingido por grande parte da população.

O capitalismo está fundado na exploração. Para que uma minoria de burgueses viva no paraíso condena-se grande parte da população à barbárie. Nesse sistema é preciso explorar o trabalho de muitos para sustentar os privilégios de poucos.

Tudo que interessa à burguesia é manter o seu domínio, assim o Estado, o governo, as leis, a polícia e o Exército, que existem sob o pretexto de representar o povo, na verdade não fazem nada a não ser servir a essa classe dominante.

Como afirmava Friedrich Engels “O estado é nada mais que uma máquina para a opressão de uma classe por outra...” – (A Guerra Civil na França).

Raito dá um bom exemplo disso. Quando durante o anime, tanto a polícia como outras pessoas o confrontam ele não resiste em matá-las. Afinal para Raito,assim como para a burguesia, desobediência também é crime.


“L” e o Estado burguês

O fato de Raito agir como um justiceiro, matando os criminosos e desrespeitando as autoridades dos Estados e governos, leva os líderes mundiais a tomar uma atitude. Então, eles resolvem pedir ajuda do melhor detetive do mundo. Ele nunca foi visto e ninguém sabe o seu nome verdadeiro. Todos apenas o conhecem por “L”.

Ele e Raito travam uma luta emocionante durante o anime. “L” tenta provar que Raito é Kira (como os japoneses dizem “Killer”, assassino, em inglês). Raito tenta descobrir a identidade de “L” para matá-lo, pois ele é uma barreira para seus planos.

É nesse momento em que os fãs dividem-se. Uns apóiam Raito, em sua “purificação do mundo”, outros “L” na luta contra Kira, o assassino que misteriosamente está matando os criminosos.

Indo além das brigas de torcidas, se analisarmos os ideais de Rayto e “L”, nós veremos que os dois não têm tanta diferença assim.

Os dois representam duas faces da mesma moeda. Duas frações da mesma burguesia.

“L”, diferente de Raito, têm algumas regras. Mas mesmo assim, ele não hesitou em torturar e burlar suas regras, para tentar capturar Raito. Em um episódio, um discípulo de “L” explica o seu método e deixa claro, sobre que princípios que ele age.

Segundo o discípulo, a forma mais rápida de evitar uma tragédia ainda maior, seria matar o suspeito: Raito. Assim as mortes iriam parar e estaria provado que Raito é Kira.

Entretanto, por maior que seja o desejo de matar Raito, o discípulo diz que não fará, pois esse não é o método de “L”.

Ou seja, Raito é um tipo de ditador: ele manda e desmanda. “L” é democrático, ele acredita na lei. Ele quer levar Raito ao júri para ser julgado e condenado, enquanto Raito, por sua vez, julga e sentencia à morte todas as suas vítimas.

Até podemos afirmar que “L” é mais democrata que Raito, mas nenhum dos dois vê a criminalidade como algo causado pelo meio social em que vivem. Para os dois combate-se o crime armando a polícia, matando e prendendo os criminosos.



O caderno nas mãos da burguesia

Em um dos episódios do anime, o caderno cai na mão de um grupo de empresários. Diferente de Raito, que deseja “purificar o mundo”, tudo que eles querem é ganhar dinheiro. Como todo burguês, eles desejam o fim da concorrência.

O caderno torna-se uma arma eficiente contra seus concorrentes. Matam os donos das empresas que os ameaçam, sem pena.

Ao passo que Raito usou o caderno para “purificar o mundo”, os empresários o utilizaram para manterem-se no poder e adquirir mais poder. Para tanto, eles mataram, um a um, todos os concorrentes.

Muitos amigos com quem conversei, dizem que ao ter o caderno, uma das coisas que fariam era matar os políticos e empresários. Isso não ia alterar o sistema. Durante a história, nossos algozes foram atacados e alguns mortos, como Alexandre II, da Rússia.

Isso não mudou o sistema, nem derrubou o império, ao contrário isso ajudou a monarquia a justificar a repressão.

É interessante essa parte do anime, pois mesmo com a morte de alguns empresários e até de parte dos que possuem o caderno, nada muda. Matar o maior empresário do mundo ou do Brasil, não poria um fim ao capitalismo.

São as massas organizadas que derrubam o sistema e revolucionam a sociedade, não pequenos grupos em ataques individuais que irão derrubar o capitalismo.

Nossos meios de luta contra o capital devem ser meios que envolvam as massas, que as fortaleçam que as eduquem na luta contra o capital.

Como afirma Trotsky: “Bons são os métodos e os meios que elevam a consciência de classe dos operários, sua confiança em suas próprias forças, sua disposição à abnegação e à luta” (Programa de Transição).


O Autor de Death Note e o fim da criminalidade

De acordo com os sites na internet, ninguém sabe ao certo quem é o criador de Death Note. Seu nome Tsugumi Ohba é um pseudônimo, que dizem ser de Hiroshi Gamou, autor da série de mangá Tottemo! Luckyman.

A verdade é que esse fato só contribui para afirmar que o homem é um produto de seu meio, assim como suas idéias. Afinal o autor criou “L” à sua imagem e semelhança. Não estou acusando o autor de um agente da burguesia, como afirmei em meu texto sobre a luta de classes e os heróis.

Os artistas são influenciados pela ideologia dominante como qualquer outro trabalhador ou político.

No anime, a idéia de solução para o crime é a repressão. O autor pode não estar de acordo com isso e simplesmente expor essa solução, por ser a única que conhece, o que pode ser ingenuidade ou, o mais provável, influência das idéias mais conhecidas.

Os marxistas propõem a revolução socialista, como a única forma de pôr um fim na exploração e na miséria. É por causa dessa exploração e miséria que se intensificam os roubos, mortes e assassinatos em nossa sociedade.

O crime surge no sistema capitalista como um atalho para a “felicidade da burguesia”, na parte mais miserável da população.

O capitalismo já não desenvolve mais a sociedade. Ele não traz o bem estar da população. Tudo que o capitalismo traz é a exploração, o desemprego e a guerra. Todos os meios são utilizados pelos burgueses para manterem-se no poder.

Não adianta colocarmos mais policiais nas ruas, construirmos mais cadeias e termos penas mais duras. O problema é o Sistema. Para pôr um fim à criminalidade é preciso derrubar esse Sistema.

Death Note tem alta qualidade. Os desenhos são muito bem feitos. Rico em detalhes, com clima sombrio e solitário. Não bastasse isso, possui uma ótima trilha sonora que interage com cada episódio e atitude dos personagens.

Como a maioria dos animes, ele é baseado em um mangá (história em quadrinhos japonesa) que é ilustrado por Takeshi Obata. O anime conta com 37 episódios, que no Brasil foram exibidos pelo canal de TV pago Cartoon Network, muito embora os fãs de anime prefiram baixá-lo da internet e assistir legendando.


* João Diego Leite é militante marxista e fã de animes.

Drauzio Varella fala sobre respeito aos ateus e sobre excomunhão da igreja.

Gostei desse vídeo, tenho acordo com o Doutor e Ateu Drauzio Varella.
A igreja é Monárquica!

domingo, 6 de março de 2011

Entrevista com Julian Assange

Fundador do WikiLeaks fala sobre suas conquistas e desafios a internautas brasileiros 


Observatório do Direito à Comunicação 


“Não somos uma organização exclusivamente da esquerda. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e pela justiça”. Essa é apenas uma das muitas afirmações feitas pelo fundador e publisher do WikILeaks, Julian Assange, em entrevista aos internautas brasileiros.

A entrevista será publicada por diversos blogs, entre eles: Blog do Nassif, Viomundo, Nota de Rodapé, Maria Frô, Trezentos, Fazendo Média, FAlha de S Paulo, O Escrevinhador, Blog do Guaciara, Observatório do Direito à Comunicação, Blog da Dilma, Futepoca, Elaine Tavares, Blog do Mello, Altamiro Borges, Doutor Sujeira, Blog da Cidadania, Óleo do Diabo, Escreva Lola Escreva.

Julian, que enfrenta um processo na Suécia por crimes sexuais e atualmente vive sob monitoramento em uma mansão em Norfolk, na Inglaterra, concedeu a entrevista para internautas que enviaram perguntas.

Foram selecionadas doze perguntas dentre as cerca de 350– e não foi fácil. Foram privilegiadas perguntas muito repetidas, perguntas originais e aquelas que não querem calar. Infelizmente, nem todos foram contemplados.

No final, os brasileiros não deram mole para o criador do WikiLeaks. Julian teve tempo de responder por escrito e aprofundar algumas questões.

O resultado é uma entrevista saborosa na qual ele explica por que trabalha com a grande mídia – sem deixar de criticá-la -, diz que gostaria de vir ao Brasil e sentencia: distribuir informação é distribuir poder.

Em tempo: se virasse filme de Hollywood, o editor do WikiLeaks diz que gostaria de ser interpretado por Will Smith.

Vários internautas - O WikiLeaks tem trabalhado com veículos da grande mídia – aqui no Brasil, Folha e Globo, vistos por muita gente como tendo uma linha política de direita. Mas além da concentração da comunicação, muitas vezes a grande mídia tem interesses próprios. Não é um contra-senso trabalhar com eles se o objetivo é democratizar a informação? Por que não trabalhar com blogs e mídias alternativas?


Julian Assange - 
Por conta de restrições de recursos ainda não temos condições de avaliar o trabalho de milhares de indivíduos de uma vez. Em vez disso, trabalhamos com grupos de jornalistas ou de pesquisadores de direitos humanos que têm uma audiência significativa. Muitas vezes isso inclui veículos de mídia estabelecidos; mas também trabalhamos com alguns jornalistas individuais, veículos alternativos e organizações de ativistas, conforme a situação demanda e os recursos permitem.

Uma das funções primordiais da imprensa é obrigar os governos a prestar contas sobre o que fazem. No caso do Brasil, que tem um governo de esquerda, nós sentimos que era preciso um jornal de centro-direita para um melhor escrutínio dos governantes. Em outros países, usamos a equação inversa. O ideal seria podermos trabalhar com um veículo governista e um de oposição.

Marcelo Salles – Na sua opinião, o que é mais perigoso para a democracia: a manipulação de informações por governos ou a manipulação de informações por oligopólios de mídia?


A manipulação das informações pela mídia é mais perigosa, porque quando um governo as manipula em detrimento do público e a mídia é forte, essa manipulação não se segura por muito tempo. Quando a própria mídia se afasta do seu papel crítico, não somente os governos deixam de prestar contas como os interesses ou afiliações perniciosas da mídia e de seus donos permitem abusos por parte dos governos. O exemplo mais claro disso foi a Guerra do Iraque em 2003, alavancada pela grande mídia dos Estados Unidos.

Eduardo dos Anjos - Tenho acompanhado os vazamentos publicados pela sua ONG e até agora não encontrei nada que fosse relevante, me parece que é muito barulho por nada. Por que tanta gente ao mesmo tempo resolveu confiar em você? E por que devemos confiar em você?

O WikiLeaks tem uma história de quatro anos publicando documentos. Nesse período, até onde sabemos, nunca atestamos ser verdadeiro um documento falso. Além disso, nenhuma organização jamais nos acusou disso. Temos um histórico ilibado na distinção entre documentos verdadeiros e falsos, mas nós somos, é claro, apenas humanos e podemos um dia cometer um erro. No entanto até o momento temos o melhor histórico do mercado e queremos trabalhar duro para manter essa boa reputação.

Diferente de outras organizações de mídia que não têm padrões claros sobre o que vão aceitar e o que vão rejeitar, o WikiLeaks tem uma definição clara que permite às nossas fontes saber com segurança se vamos ou não publicar o seu material.

Aceitamos vazamentos de relevância diplomática, ética ou histórica, que sejam documentos oficiais classificados ou documentos suprimidos por alguma ordem judicial.

Vários internautas - Que tipo de mudança concreta pode acontecer como consequência do fenômeno Wikileaks nas práticas governamentais e empresariais? Pode haver uma mudança na relação de poder entre essas esferas e o público?

James Madison, que elaborou a Constituição americana, dizia que o conhecimento sempre irá governar sobre a ignorância. Então as pessoas que pretendem ser mestras de si mesmas têm de ter o poder que o conhecimento traz. Essa filosofia de Madison, que combina a esfera do conhecimento com a esfera da distribuição do poder, mostra as mudanças que acontecem quando o conhecimento é democratizado.

Os Estados e as megacorporações mantêm seu poder sobre o pensamento individual ao negar informação aos indivíduos. É esse vácuo de conhecimento que delineia quem são os mais poderosos dentro de um governo e quem são os mais poderosos dentro de uma corporação.

Assim, o livre fluxo de conhecimento de grupos poderosos para grupos ou indivíduos menos poderosos é também um fluxo de poder, e portanto uma força equalizadora e democratizante na sociedade.

Marcelo Träsel - Após o Cablegate, o Wikileaks ganhou muito poder. Declarações suas sobre futuros vazamentos já influenciaram a bolsa de valores e provavelmente influenciam a política dos países citados nesses alertas. Ao se tornar ele mesmo um poder, o Wikileaks não deveria criar mecanismos de auto-vigilância e auto-responsabilização frente à opinião pública mundial?

O WikiLeaks é uma das organizações globais mais responsáveis que existem.

Prestamos muito mais contas ao público do que governos nacionais, porque todo fruto do nosso trabalho é público. Somos uma organização essencialmente pública; não fazemos nada que não contribua para levar informação às pessoas.

O WikiLeaks é financiado pelo público, semana a semana, e assim eles “votam” com as suas carteiras.

Além disso, as fontes entregam documentos porque acreditam que nós vamos protegê-las e também vamos conseguir o maior impacto possível. Se em algum momento acharem que isso não é verdade, ou que estamos agindo de maneira antiética, as colaborações vão cessar.

O WikiLeaks é apoiado e defendido por milhares de pessoas generosas que oferecem voluntariamente o seu tempo, suas habilidades e seus recursos em nossa defesa. Dessa maneira elas também “votam” por nós todos os dias.

Daniel Ikenaga - Como você define o que deve ser um dado sigiloso?

Nós sempre ouvimos essa pergunta. Mas é melhor reformular da seguinte maneira: "quem deve ser obrigado por um Estado a esconder certo tipo de informação do resto da população?"

A resposta é clara: nem todo mundo no mundo e nem todas as pessoas em uma determinada posição. Assim, o seu medico deve ser responsável por manter a confidencialidade sobre seus dados na maioria das circunstâncias - mas não em todas.

Vários internautas - Em declarações ao Estado de São Paulo, você disse que pretendia usar o Brasil como uma das bases de atuação do WikiLeaks. Quais os planos futuros?  Se o governo brasileiro te oferecesse asilo político, você aceitaria?

Eu ficaria, é claro, lisonjeado se o Brasil oferecesse ao meu pessoal e a mim asilo político. Nós temos grande apoio do público brasileiro. Com base nisso e na característica independente do Brasil em relação a outros países, decidimos expandir nossa presença no país. Infelizmente eu, no momento, estou sob prisão domiciliar no inverno frio de Norfolk, na Inglaterra, e não posso me mudar para o belo e quente Brasil.

Vários internautas - Você teme pela sua vida? Há algum mecanismo de proteção especial para você? Caso venha a ser assassinado, o que vai acontecer com o WikiLeaks?

Nós estamos determinados a continuar a despeito das muitas ameaças que sofremos. Acreditamos profundamente na nossa missão e não nos intimidamos nem vamos nos intimidar pelas forças que estão contra nós.

Minha maior proteção é a ineficácia das ações contra mim. Por exemplo, quando eu estava recentemente na prisão por cerca de dez dias, as publicações de documentos continuaram.

Além disso, nós também distribuímos cópias do material que ainda não foi publicado por todo o mundo, então não é possível impedir as futuras publicações do WikiLeaks atacando o nosso pessoal.

Helena Vieira - Na sua opinião, qual a principal revelação do Cablegate? A sua visão de mundo, suas opiniões sobre nossa atual realidade mudou com as informações a que você teve acesso?


O Cablegate cobre quase todos os maiores acontecimentos, públicos e privados, de todos os países do mundo – então há muitas revelações importantíssimas, dependendo de onde você vive. A maioria dessas revelações ainda está por vir.

Mas, se eu tiver que escolher um só telegrama, entre os poucos que eu li até agora - tendo em mente que são 250 mil - seria aquele que pede aos diplomatas americanos obter senhas, DNAs, números de cartões de crédito e números dos vôos de funcionários de diversas organizações – entre elas a ONU.

Esse telegrama mostra uma ordem da CIA e da Agência de Segurança Nacional aos diplomatas americanos, revelando uma zona sombria no vasto aparato secreto de obtenção de inteligência pelos EUA.

Tarcísio Mender e Maiko Rafael Spiess - Apesar de o WikiLeaks ter abalado as relações internacionais, o que acha da Time ter eleito Mark Zuckerberg o homem do ano? Não seria um paradoxo, você ser o “criminoso do ano”, enquanto Mark Zuckerberg é aplaudido e laureado?


A revista Time pode, claro, dar esse título a quem ela quiser. Mas para mim foi mais importante o fato de que o público votou em mim numa proporção vinte vezes maior do que no candidato escolhido pelo editor da Time. Eu ganhei o voto das pessoas, e não o voto das empresas de mídia multinacionais. Isso me parece correto.

Também gostei do que disse (o programa humorístico da TV americana) Saturday Night Live sobre a situação: "Eu te dou informações privadas sobre corporações de graça e sou um vilão. Mark Zuckerberg dá as suas informações privadas para corporações por dinheiro – e ele é o 'Homem do Ano’."

Nos bastidores, claro, as coisas foram mais interessantes, com a facção pró- Assange dentro da revista Time sendo apaziguada por uma capa bastante impressionante na edição de 13 de dezembro, o que abriu o caminho para a escolha conservadora de Zuckerberg algumas semanas depois.

Vinícius Juberte - Você se considera um homem de esquerda?

Eu vejo que há pessoas boas nos dois lados da política e definitivamente há pessoas más nos dois lados. Eu costumo procurar as pessoas boas e trabalhar por uma causa comum.

Agora, independente da tendência política, vejo que os políticos que deveriam controlar as agências de segurança e serviços secretos acabam, depois de eleitos, sendo gradualmente capturados e se tornando obedientes a eles.

Enquanto houver desequilíbrio de poder entre as pessoas e os governantes, nós estaremos do lado das pessoas.

Isso é geralmente associado com a retórica da esquerda, o que dá margem à visão de que somos uma organização exclusivamente de esquerda. Não é correto. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e justiça – e isso se encontra em muitos lugares e tendências.

Ariely Barata - Hollywood divulgou que fará um filme sobre sua trajetória. Qual sua opinião sobre isso?


Hollywood pode produzir muitos filmes sobre o WikiLeaks, já que quase uma dúzia de livros está para ser publicada. Eu não estou envolvido em nenhuma produção de filme no momento.

Mas se nós vendermos os direitos de produção, eu vou exigir que meu papel seja feito pelo Will Smith. O nosso porta-voz, Kristinn Hrafnsson, seria interpretado por Samuel L Jackson, e a minha bela assistente por Halle Berry. E o filme poderia se chamar "WikiLeaks Filme Noire".