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sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz ano novo!


Feliz ano novo a todos que leem o que escrevo aqui. E... bom, um pouco de Amy para animar.

Rufus Wainwright - Across The Universe


A verdade está lá fora




Na noite de ontem assisti o filme: Arquivo X-Eu preciso acreditar, que é o segundo longa-metragem baseado na série de mesmo nome que fez sucesso na década de 90. A história conta novamente com seus personagens principais, Fox Mulder (David Duchovny) E Dana Scully (Gilllian Anderson), além do agente Walter Skinner (Mitch Pileggi).

A história é nostálgica, mas todo o fã da série vai gostar de ver novamente Mulder e Scully atrás de um mistério. Só não espere nada de sensacional. Também não há ETs nesse filme, que era o que eu esperava. A trama gira em torno do seqüestro de uma agente do FBI e um padre que acredita ser vidente.

Gostei do filme. Ele me fez refletir sobre a filosofia do Arquivo-X e o seu sucesso. Comecei assistir o seriado aos meus sete anos. Gostava da série devido aos ETs e ao mistério. Pensemos um pouco, Mulder, teve sua irmã abduzida, mas nunca conseguiu convencer os membros do FBI que isso era verdade. Por maiores que sejam as provas ele não conseguiu mostrar a verdade para todos.

Era sempre uma luta inglória dos dois agentes para tentar provar, que sim, muito das coisas que falam do sobrenatural é real. Além de ser real, havia sempre um ar de conspiração. Hora os Ets nos manipulam, hora o governo esconde a verdade. Sempre acontece algo que impede que a verdade venha a público.

Por isso uma das frases da série era “não confie em ninguém”, não se sabia em que ponto seus superiores e amigos iriam te deixar na mão e passar para trincheira adversária ou desaparecer.

Uma vez li em uma revista que muitos dos casos que vi na série eram baseados em fatos reais. Li isso aos meus oito ou nove anos, me tirou algumas noites de sono, pois eu sempre pensava: e se for verdade...

Acredito que muitas pessoas pensavam isso. Afinal, por mais que não haja prova alguma do sobrenatural, existe toda uma cultura que estimula as pessoas a acreditar nisso. Se pararmos para pensar, a série Supernatural não tem a mesma lógica de Arquivo X?

Dois irmãos que buscam um mistério que todo mundo ignora, por achar que não existe ou porque são manipulados pelas forças ocultas. Semelhante.

Não me parece estranho, por isso, que as pessoas acreditem que 2012 o mundo vai acabar. Faz parte de nossa cultura do misticismo. O pensamento de que existe algo além da morte e do mundo físico. Uma pena é que não houve nenhuma boa série ou filme sobre isso, seria divertido. 

João Diego
Estudante de jornalismo, ateu e uma antigo fã da série. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

On Melancholy Hill


Gosto desses macacos. 

                                                                Colina da Melancolia
No alto da Colina de Melancolia
Tem uma árvore de plástico

Você está aqui comigo?

Apenas esperando o dia
De outro sonho,

Onde você não pode ter o que quer,
Mas pode ter a mim.

Então vamos partir para o mar,
Pois você é o meu remédio
Quando está perto de mim.
Quando está perto de mim.

Chamando todos os submarinos
Ao redor do mundo é para onde iremos
Alguém sabe, amor
Se estamos esperando o dia
De outro sonho?

Se você não pode ter tudo o que quer
Então venha comigo.

No alto da Colina de Melancolia
Está um peixe-boi
Apenas esperando o dia
Em que você estará perto de mim
Em que você estará perto de mim

Em que você estará perto de mim.

A revolução não virá pelo Twitter, mas poderá ser tuitada

Após postarmos a tira abaixo no Facebook da Juventude Marxista, um de nossos leitores nos questionou sobre qual seria a validade dos protestos via internet e qual a melhor forma de protestar. Dei minha opinião no Facebook, mas achei interessante escrever sobre isso.



A revolução Árabe, os movimentos de ocupação pelo mundo e o Wikileaks levaram muitos jovens a supervalorizar o papel da internet e as redes sociais. Trocaram a militância de rua pelos twittaços e textos postados no Facebook.

Segundo eles a internet é um espaço de democracia real em que todos podem participar. Sendo assim, fazer reuniões, assembléias e até manifestações.

Primeiramente, acredito que a internet é uma ferramenta de extrema utilidade para propaganda. Infelizmente, não é possível fazer qualquer outra ação através dela. Todos os protestos e manifestações online têm o fim da propaganda.

É claro que muitos podem afirmar que as ações de hackers podem abalar as estruturas da burguesia e de seus governos, mas para mim, essas ações são semelhantes às atitudes terroristas: heróicas.

Não elevam a consciência dos explorados na luta pela revolução. Como dizia Trotsky, bons são os meios que elevam a consciência dos explorados como classe e os ajudam entender a necessidade de tomar o poder. O terrorismo online, não tem muita utilidade para isso.

Outro ponto importante é entender que a internet não provocou a primavera Árabe, ela apenas ajudou a divulgá-la. Ou seja, a revolução não veio através de Twitter, mas teve todas as suas ações divulgadas pelo Twitter. Quando muitos meios de comunicação ocultavam os progressos no mundo árabe, as redes sociais se tornaram um meio de acompanhar os acontecimentos em tempo real.

Por último, acredito ser importante citarmos o Wikileaks. Julian Assange, não é um revolucionário, nem comunista. Ele se considera uma pessoa justa. E com esse ideal de justiça divulgou os documentos ultra-secretos do império. Que por isso, quer sua cabeça. Acredito que literalmente a querem em uma bandeja.

Bom, mas o importante nisso tudo é que Assange teve sua conta do Facebook cancelada. Assim como seu Twitter. Que o governo norteamericano tem exigido que o Facebook entregue dados de pessoas que tem um possível envolvimento com o site de Assange. Que a Visa e a Mastercard cancelaram todas as doações para Assange. Que o Facebook tem censurado informações que não lhe convém.

A internet é um espaço de difusão, mas não de mobilização ou ação revolucionária de tomada de poder. Fazer reuniões e divulgar a informação é importante, mas não iremos tomar o poder pelo Twitter.
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Já existem leis que pretendem endurecer anarquia da internet. À medida que a burguesia se sentir ameaçada por esse espaço ela o limitará ainda mais. Por isso, acredito ser importante não nos iludirmos. A revolução não virá pelo Twitter, mas poderá ser tuitada.





quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Essa merda tem que acabar

Ninguém precisa ser comunista para entender que o capitalismo é uma merda. O vídeo abaixo, que conta a vida de Jacques Fresco, mostra isso. Durante os seus 75 anos ele observou a sociedade. Assim compreendeu que nossa democracia em épocas de crise é a democracia dos bancos e dos empresários e que o único objetivo desse sistema é produzir para lucrar, não importando o bem estar das pessoas. 



Fresco é membro e fundador de um movimento chamado Zeitgeist. Os membros desse grupo acreditam que precisamos construir uma sociedade boa para todos os seres humanos, independente das classes sociais. Para eles, o primeiro passo é entender que os recursos da terra são finitos. É que eles demoraram milhões de anos para ser constituídos e nós, ao ritmo que vamos, iremos acabar com tudo e levaremos os humanos à extinção. 



Entendo isso, precisamos mapear e contabilizar todos os recursos para saber como melhor podemos utilizá-los. Ao fazer isso, eliminamos todas as fronteiras e trabalhamos unidos para constituir uma economia que produza o necessário para o bem estar de todos. 

As idéias de fresco e seus amigos são interessantes. E podemos ter acordo em muitos pontos. Como afirmei antes, não precisa ser comunista para entender a sociedade, mas para mudá-la acreditamos que sim. 

Para fresco, não há partido ou organização política que lute para tomar o poder e socializar os recursos. Afinal, eles defendem uma economia em que os recursos estejam disponíveis para todos, mas como fazer isso se esses recursos são propriedades da classe dominante? 

Para os membros do Zeitgeist é a propaganda, Ou seja, conscientizaremos todos os seres humanos, entre eles os burgueses que acho que também são humanos, para que entreguem seus recursos para a humanidade. Assim poderemos realizar o plano da Economia Baseada em Recursos. 

Essas idéias são semelhantes ao que pensavam Saint Simon, Robert Owen e Charles Fourier. Socialistas utópicos, que acreditavam em uma transformação social pela propaganda. Eles também constituíam um plano. Simon tinha uma idéia de contabilidade semelhante ao do Zeitgeist. 

O grande problema dessas teorias é pensar a sociedade a partir do consumo, não a partir da propriedade. As idéias são honestas, mas para realizar todo esse plano precisamos do controle da economia e da política, que não é citada em nenhum momento por eles. 

Eu me pergunto, acho justo organizar uma economia baseada nos recursos, mas como convencer os donos das indústrias a nos entregar o que dá um lucro de milhões a ele? 

Acho que se apresentássemos o plano à burguesia, não haveria divergência sobre sua necessidade, mas a hora que falarmos: 

- Bem, mas para que isso dê certo precisa entregar seus recursos. 

A resposta seria assim: 

-KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Penso que o caminho que tomou a primavera árabe nos mostra como poderíamos salvar a humanidade, que é a grande preocupação do Zeitgeist. Só acrescentaria que além de derrubar os ditadores derrubássemos também os burgueses, socializássemos a produção e colocássemos o poder nas mãos dos explorados. É a única maneira de tomarmos os recursos.

João Diego
Estudante de Jornalismo 
Coordenador Nacional da Juventude Marxista


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Reckoner - Radiohead



Calculista

Você não pode levar com você
Dançando para seu prazer

Vocês não tem culpa nenhuma
pertubardor agridoce
Não ouse falar seu nome
Dedicado a todos vocês
todos os seres humanos

Porque estamos separados como
ondulações em uma praia vazia
(em arco-íris)
Porque estamos separados como
ondulações em uma praia vazia
(em arco-íris)

Calculista
Leve-me com você
Dedicado a todos 
todos os seres humanos

Eu não preciso de Soma



Imaginemos uma sociedade futura, em que não tivéssemos preocupação alguma. Há começar pelo desemprego ou pelo próprio emprego. Nenhum dos dois existiria. Afinal, seríamos condicionados desde o nascimento a ter uma função e a gostar do que fazemos.

Sem problemas com tédio. Nosso condicionamento incluiria gostos por determinados esportes e divertimentos que faríamos, após o trabalho e em dias de folga. É importante lembrar que todas as funções sejam de trabalho ou diversão estão condicionadas em manter a sociedade funcionando.

Nossa vida seria pré-moldada. O molde seria dividido em classes superiores e inferiores. Sorte se for superior, azar se for inferior. Mas sem problemas! Para as duas classes você está condicionado para gostar do que é, ou seja, você tende a não se deprimir por limpar banheiros ou administrar o mundo.
Há menos que algo dê errado, enquanto te faziam. Aí azar o seu, pois ter consciência disso tudo, não significa que poderá mudar de função.

Falando em mudança, ela também não existe. Afinal as mudanças prejudicam a estabilidade da sociedade. Se nascer para mandar ou obedecer fará isso até morrer.

A solidão é algo inexistente, todas as atividades são em grupos. Nosso sentimento de isolamento não existe. Nada de se divertir ou trabalhar sozinho. O amor é algo que também não existe, ou seja, nenhuma frustração ou vinculo que o deixe preso a alguém.

Todos fazem sexo com todos, mas por prazer, não para se reproduzir. As crianças não nascem, são feitas. Logo, se não existe amor, nem vínculo não existe família. Sem pais e mães as crianças estão livres de todos os traumas que família lhe produzia.

Tudo isso lhe dará uma vida mais sadia e não precisará de asilo, nem lugar para descansar quando envelhecer, pois seu organismo terá sempre a mesma jovialidade até o fim da vida.

Caso tudo isso ainda não te faça feliz, você poderá usar soma. Uma droga, muito eficaz. Não te causa nenhum problema de saúde. A única coisa que ela te faz é servir com fuga da sociedade, te ajudando a relaxar. Assim, todos teriam estabilidade e segurança em sua felicidade.

Admirável Mundo Novo, escrito Aldous Huxley é um ótimo livro. Listei acima algumas coisas que me chamaram a atenção em minha leitura. Espero que isso lhes desperte interesse.

É uma ótima sátira das utopias[1] e ao clima que vivia sociedade, na década de 30. Nazistas, comunistas, psicanalistas e capitalistas são criticados pelo autor.

O que mais me chamou atenção no livro são as drogas. Elas são tratadas como um mecanismo de controle ou fuga. Não existe bebida alcoólica na história, nem arte, nem TV. Há cinema, mas diferente do que temos.
Logo o governo produz drogas e distribui livremente. Pode se tomar o quanto precisa, pode se tomar o dia inteiro e viver no mundo da lua! Sem preocupações. Assim o governo mantém todos sobre seu controle, pois além dos condicionamentos que impede de questionar a realidade as droga ajudam as pessoas “relaxar”.

O sonho dos empresários, trabalho sem reclamação, mas por enquanto isso ainda é utopia. 

João Diego.


[1] Entendo utopia como algo que ainda não existe não como algo impossível. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Amy Winehouse



Terminei de ler a biografia de Amy Winehouse. Escrita por Chas Newkey- Burdens que é colunista do Jornal inglês, The Guardian. O livro foi escrito, em 2008 quando Amy ainda estava viva. Gosto muito de Amy Winehouse. Não sou um grande conhecedor de música, mas gosto do que ela fazia. 

Após leitura pude entender onde estava a inspiração para fazer o que fazia. Diferente do que muitos pensam, ela não era uma drogada loca. 

Sua música retratava sua vida. Frank, seu primeiro disco conta, entre outras coisas, seus problemas com o namorado e sua infidelidade. Seu segundo disco, Black to Black retrata um período triste de sua vida. “Eu estava muito magoada, mas dei um jeito de tirar proveito dessa situação ruim”, afirma Amy no livro. 

Para mim, a música de Amy consegue expressar seus sentimentos de forma que você sinta o mesmo que ela ao ouvir sua música, seja bom ou ruim. É sempre intenso, talvez seja isso o que tenha encurtado sua vida. 

O tédio, a tristeza e os problemas com o trabalho a levaram as drogas e a morte. A mídia aproveitou disso, afinal é alguém com talento que dá vexame, que faz o que muitos de nós fazemos, mas por ser famosa é notícia e notícia vende. 

O autor tentou durante o livro denunciar os excessos da mídia e ressaltar o lado meigo da cantora. Mostrá-la de forma diferente dos que as fotos muitas vezes a mostraram. Não é o melhor livro que já li, mas serviu para conhecer um pouco a cantora. 



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Canción de Navidad


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Humanos

É o que penso deles: 

“Tenho-me esforçado por não rir das ações humanas, por não deplorá-las nem odiá-las, mas por entendê-las”- Espinoza

Descansar minha química

Eu não dormi por dois dias
Me banhei em nada além de suor
E eu fiz cenas de corredores por coisas que me arrependi
Meus amigos, eles vêm
E pelas bordas eles se vão

Essa noite, eu vou descansar minha química
Essa noite, eu vou descansar minha química

Eu vivo minha vida sem dor
Apenas uma raiva e 3 tipos de sim
Eu fiz degrausTais cenas por coisas de que me arrependo
Oh, aqueles dias no sol
Eles trazem uma lágrima ao meu olho

Essa noite, eu vou descansar minha química
Essa noite, eu vou descansar minha química

Mas você é tão jovemVocê é tão jovem
Você olha nos meus olhosVocê é tão jovem, tão doce, tão surpresa

Então o sinal diz ok
Tenho que pegar uma carona pra relaxar bem longe
Tirar um tempo para perceberQue meus amigos eles vêm
E pelas bordas eles vão

Essa noite, eu vou descansar minha química
Essa noite, eu vou descansar minha química

Mas você é tão jovem
Você é tão jovem, você olha nos meus olhos
Tão jovem, tão doce, tão surpresa
Você parece tão jovem como uma margarida nos meus olhos preguiçosos

Essa noite, eu vou descansar minha química
Essa noite, eu vou descansar minha química
Essa noite, eu vou descansar minha química
Essa noite, eu vou descansar minha química

http://www.vagalume.com.br/interpol/rest-my-chemistry-traducao.html#ixzz1gKSwzLy5

Spinoza


A frase de Spinoza é simples: “nem rir nem chorar, apenas aprender”. Acho que em alguns momentos ela serve bem até demais. Aprender às vezes é o que nos resta. Em algumas situações é o que nos sobra.

É como diz o poema de Ítaca ao fim, após percorrer quilômetros, enfrentar monstros e perde amigos e pessoas que gostas não se aches pobre ou inútil, “tu te tornaste sábio, um homem de experiência e agora sabes o que significam ítacas”. 

Baruch Spinoza

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dinho Ouro Preto protesta contra Sarney, mas defende “liberdade de empresa”


Um dos momentos mais comentados do Rock In Rio foi o protesto do dia 24 feito pelo vocalista do Capital Inicial, contra o atual presidente do Senado, José Sarney. Dinho Ouro Preto dedicou a música, “Que país é esse?” de autoria de Renato Russo, ao senador. 


O vocalista Dinho Ouro Preto
Ele afirmou que a música era para as oligarquias que ainda conseguem deixar jornais, como é o caso do jornal estado de São Paulo, censurados durante dois anos. “Essa aqui é em especial para o José Sarney. Isso daqui se chama Que País é esse”, anunciou Dinho.

No último sábado (01/10), em entrevista ao Jornal Estado de São Paulo, o cantor disse ser favorável à liberdade de imprensa. Para ele, são alarmantes as “agressões” à imprensa na América latina.

O vocalista afirmou que quando as “agressões” contra a imprensa aconteciam em países menores, como na Venezuela de Hugo Chávez, era um espanto. Agora, que isso “acontece” em países como a Argentina, ele diz começar a se preocupar. O pior, segundo Dinho, “é que a Cristina (Kirchner, presidente da Argentina) irá se reeleger”.

Para ele é um absurdo o Partido dos Trabalhadores discutir a regulamentação da imprensa. O músico afirma não saber o que eles têm em mente e que a proposta parece algo ao estilo Stálin.

O roqueiro tem razão sobre Sarney e outras oligarquias, como as de Fernando Collor de Melo, Ciro Gomes e Paulo Maluf.

Mas tratando sobre os outros temas ele confunde as coisas. A briga do Jornal “O Estado de São Paulo” em nada tem que ver com a liberdade de imprensa, mas com a liberdade de empresa. 



O jornal foi censurado pela justiça a pedido de Sarney, em 2009, por noticiar as falcatruas da família do senador. Uma delas era o fato do mordomo de Roseana Sarney, ser funcionário do senado com um salário em torno de R$ 12 mil.

“O Estado”, como os outros grandes meios de comunicação, é porta voz de interesses da elite de nosso país. A grande mídia representa o pensamento de determinados setores da burguesia. A briga entre Sarney e o “estadão”, representa a briga entre dois setores da classe dominante.

O que “o estadão” quer, não é uma mídia mais plural e democrática, mas a permissão para poder dizer o que quiser. Ou seja, ele quer denunciar a corrupção do Sarney, mas também fazer campanha contra todo o governo que não seja diretamente o seu, incluindo governos com matizes de esquerda. “O estadão” é o grande defensor das privatizações. A linha editorial do “estadão” não é democrática, é a linha de seus donos que representam um setor da burguesia.

A censura ao jornal não tem relação nenhuma com o que ocorre hoje na América latina e com regulamentação da Imprensa. Na Venezuela, por exemplo, não sei o que Dinho sabe, mas é importante lembrar que não houve nenhuma censura à imprensa. A RCTV, principal canal da Venezuela, junto com a filial da Rede Globo, a CIA e os militares venezuelanos organizaram um golpe contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. O golpe ocorreu e só não prosperou porque o povo saiu às ruas e exigiu a volta do presidente. Em 2007, Chávez resolveu não conceder mais a licença para o canal e expropriou suas estruturas.

Em 16 de julho de 2007, coube ao grupo Globo, que é proprietária da DirecTV dar asilo ao Canal golpista, que funcionou até 24 de janeiro de 2010 quando o governo venezuelano, através da Comisión Nacional de Telecomunicaciones (CONATEL), determinou o encerramento das transmissões da rede de TV e de mais cinco canais.  O motivo da extinção foi o não cumprimento da veiculação de 30% do conteúdo transmitindo da Venezuela. A RCTV, na Venezuela só pode ser vista pela internet.

Na Argentina faz pouco tempo foi aprovada a lei dos meios de comunicação, que limita o monopólio no setor. Semelhantes medidas são progressistas, em nada tem a ver com censura. A grande censura à imprensa exercida em nosso país é feita pelas 10 famílias que monopolizam a mídia nacional.

Talvez Dinho também não saiba disso, mas para possuir um canal de TV no Brasil você precisa de uma permissão do governo. E boa parte dessas permissões foi concedida pela ditadura militar!

Assim, ter um canal de TV é ter uma concessão pública, ou seja, você tem a permissão do governo para administrar um serviço que é “público”. Mas o que acontece é que todos os donos dos meios de comunicações agem com se fossem sua propriedade, defendendo suas idéias, atacando os governos que lhes interessa atacar, mentindo, distorcendo fatos e omitindo informações.

Isso não tem nada que ver com a liberdade de imprensa, mas sim com a liberdade deles defenderem suas empresas e as dos outros capitalistas. Defendem a posição que melhor lhes convém e que lhes dão lucros.

A declaração de Dinho Ouro Preto é conservadora e se vincula aos interesses dos grandes meios de comunicação. Afinal, quem paga a banda, escolhe não só a música, mas também o discurso. E Dinho cumpriu a regra.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CAPITÃO AMÉRICA: O FIM DO SONHO AMERICANO


Primeira parte

No mês julho estreou nos cinemas brasileiros o filme Capitão América: o primeiro vingador. Apesar da boa receptividade no Brasil, como no resto do mundo, os produtores temiam pela rejeição do filme devido ao caráter patriótico do herói.

Mesmo com esse temor, a crítica não foi de toda negativa. Em muitos jornais ela foi semelhante: O diretor fez um filme de aventura, como Indiana Jones. Penso que foi isso mesmo e por isso não deixa de ser um bom filme. Nada sensacional, mas bom.

Joe Johnston, diretor do filme, não é um diretor que podíamos esperar muito, é só olhar sua trajetória: Querida, Encolhi as Crianças, Rocketeer e Jurassic Park III. Nada espetacular.

O filme se resume a um prelúdio dos Vingadores. Chris Evans, que interpreta o capitão América conseguiu mostrar a personalidade séria, trágica e “inocente” do herói.

A história se manteve fiel e segue a linha editorial da Marvel. Um herói que luta por valores universais, como verdade, justiça e liberdade.

O nazismo é mostrado com um “mal” absoluto. O caveira vermelha é usado como exemplo de soldado nazista. Não se deu destaque merecido ao parceiro do Capitão América, Buck, que perde espaço para Tomy Lee Jones, o pai de Tony Stark (Homem de ferro) e para a agente Peggy Parker. No mais, quem leu os quadrinhos sabe como a história se desenvolve.

Um voluntário de guerra se oferece para passar por uma experiência de criação de um super soldado, que irá lutar contra o nazismo.

Houve jornais que criticaram a esquiva que o filme fez em não entrar nos detalhes da história nazista e que o melhor capitão América seriam os bastardos inglórios, de Quetin Tarantino, pois representa a personalidade ofensiva da América.

Acredito que isso poderia acontecer, mas não seria fiel a história das HQs. Esteve Rogers, nome do capitão América, franzino, mas com coragem e vontade de lutar é o que faz dele um herói. Essa, como já disse é a linha editorial.

A ingenuidade dos artistas não é algo criminoso, mas comum. Eles escolhem um lado e Criam boas histórias a partir do que eles conhecem e acham ser correto. Acredito que os criadores do Capitão e Evans fizeram isso. Organizaram uma história a partir do que eles conheciam. Não fizeram do herói um agente descarado do imperialismo, mas também não esconderam totalmente seu patriotismo. Isso, como nós veremos mais à frente é a linha editorial da Marvel.

O nascimento do Capitão América

No ano de 1941 os nazistas tinham ocupado grande parte do território Europeu. Os aliados haviam sofrido grandes derrotas. A França tinha metade de seu território ocupado. A suástica de Hitler opunha derrotas a poderosa a foice e o martelo da União Soviética.  A Inglaterra era bombardeada.

Em dezembro do mesmo ano, os Estados Unidos sofrem um ataque em seu território. A base de Perhal Habor, no Hawaii é atacada pelos japoneses.  A segunda guerra mundial teria agora envolvidos, diretamente, todas as grandes burguesias e a União Soviética.

O mundo que havia passado por uma crise financeira em 1929, enfrentava agora uma guerra mundial. O manifesto da quarta internacional[1], sobre a guerra imperialista e a revolução proletária mundial, afirmava: “A causa imediata da guerra atual é a rivalidade entre os velhos ricos impérios colonizadores, Grã Bretanha e França, e os ladrões imperialistas que chegaram atrasados, Alemanha e Itália”.

Como a primeira guerra mundial, a segunda foi motivada pela disputa por matérias primas, mercados e colônias. As burguesias mundiais necessitavam eliminar a concorrência, não somente com tarifas ou rebaixamento dos preços, era preciso destruir fisicamente os inimigos. 

 Nesse sentido os aliados, ao ver a inevitabilidade da guerra começam o chamamento pela defesa da “pátria” e dos “interesses da nação” para assim enviar tropas à guerra.

Nesse contexto surgiu a primeira edição da HQ do Capitão America, que tem em sua capa o herói esmurrando Hitler. Talvez o sentido da imagem seja dizer: iremos a Berlim esmurrar os nazistas.

Criado por Joe Simon e Jack Kirby, em 1941 o personagem é produto do sentimento de defesa nacional que vivia os Estados Unidos. Isso explica as cores de sua roupa e forma de agir. É simples acusar o capitão America de imperialista, mas isso não explica sua origem.

Os artistas, que o criaram são seres humanos e como todos os seres humanos eles são influenciados pelo meio. O mundo vivia com medo da suástica, que para as pessoas comuns simbolizava o mal. O nazismo impiedosamente havia matado milhares de pessoas e lhes arrancado a liberdade. Os burgueses norteamericanos vendiam a imagem do nazismo como o inferno na terra.

Quando Timely Comics, empresa que viria a se tornar a Marvel, encarregou Joe Simon e Jack Kirb de criar um herói patriótico, os dois responderam ao chamado de defesa da pátria contra o nazismo. Eles escolheram ficar ao lado da propaganda Norteamericana contra o Eixo. Mesmo não sendo soldados os dois serviram na guerra imperialista.

<b>O mito do Capitão America</b>
O Capitão América sempre aparece nas histórias em que interage com os outros heróis, como um mito. Um exemplo para os seus companheiros. Ter lutado contra Hitler lhe dá não só medalhas, mas respeito. Todos vêm o Capitão America como à personificação dos ideais da burguesia norteamericana.

Nesse sentido[2], Simon e Kirby deram ao herói a imagem que a propaganda pró-norteamericana e antinazista necessitava, mas ocultaram que o nazismo era o capitalismo levado às ultimas consequências. 
Os autores criaram a personagem se baseando em uma história de jornal sobre um jovem que queria se alistar, mesmo que o departamento médico do exército o tivesse considerado inapto.

Assim os autores pensaram o enredo sobre um jovem franzino, que queria se alistar. Ele faria parte de um experimento secreto dos Estados Unidos para criar um super soldado. Em tese ele seria o primeiro de muitos, mas um espião nazista mata o cientista que cria o experimento e ele acaba sendo o único.

Assim nascia um símbolo que iria inspirar os norteamericanos na luta contra o “mal” do Nazismo, escondendo dos olhos do povo o “mal” que representava o imperialismo e a ganância do capital norteamericano. E em um país onde era difícil encontrar alguém que não tinha algum conhecido na guerra, ter um símbolo como o capitão, um super soldado, inspirava. Principalmente as crianças a quem a HQ era direcionada e os soldados para quem ela foi distribuída na guerra.

Assim o capitão rumava à Berlim. Kirby lhe deu o uniforme com as cores da bandeira americana e o escudo. “Nos defendemos apenas, não atacamos”-  era o que simboliza o escudo. Além disso, usar uma arma nessa época era tabu nas HQs.

O caveira vermelha e o “mau do nazismo”

Se símbolo da América era o Super-Soldado uniformizado com as cores da bandeira americana. O inimigo era o mau em pessoa, um vilão que trabalhava diretamente para Hitler. O Caveira Vermelha representava a imagem que os Estados Unidos queriam vender de seus inimigos.

É algo comum nas HQs ou nos filmes norteamericanos. Pintar os inimigos da América de maneira não muito agradável. A imagem do Caveira Vermelha é mostrada como um resultado de um experimento movido pela sede de poder.

Enquanto a América, para enfrentar os nazistas tinha um loiro alto e forte e que tinha um “coração” puro. A Alemanha tinha a imagem da morte na cor vermelha. Assim O Caveira Vermelha era o “mal” e o Capitão América o “bem”.

Não era a imagem de Hitler quem eles queriam representar somente, mas do povo alemão. Dessa forma nos mostram não só os talibãs, mas os árabes, sempre vilões, assim como era feito com os índios nos filmes do velho oeste.

Isso se explica pela necessidade que a classe dominante tem em mostrar sua ideologia como à melhor e a mais adequada para todos. Ela precisa dos trabalhadores para fazer a guerra, afinal Ford ou os Rockefellers[3] não conseguiriam empunhar armas e nem queriam.

O nazismo é produto da luta de classes

São nas crises que as diferenças entre as classes sociais se acentuam. Fica mais claro que uma grande massa trabalha e a outra explora.  Surgem milhões de exemplos claros aos olhos de todos que o capitalismo só serve aos ricos banqueiros, empresários e latifundiários e que os trabalhadores, que geram a riqueza, nada recebem. 

A crise do sistema capitalista de 1929 gerou desemprego e miséria para todos os países. As pessoas perderam a fé no capitalismo assim como muitos perderam o emprego. Na Alemanha crescia as simpatias nas idéias comunistas, mas também crescia as simpatias pelas idéias nazistas. As pessoas buscavam uma alternativa ao sistema falido.

O Nazismo chegou ao poder em 1932 graças à traição do partido comunista alemão, que durante todo o período desde nascimento do partido de Hitler não tomou uma postura clara de unidade dos trabalhadores contra os nazistas.

Enquanto os comunistas se baseavam na classe trabalhadora, os nazistas se baseavam na pequena burguesia, pequenos comerciantes, empresários e profissionais liberais. Eles se utilizavam do receio que essa classe média tinha dos comunistas para fortalecer suas posições.

Os comunistas tinham um grande partido e se baseavam nos trabalhadores, mas não tinham todos ao seu lado. A maioria deles estava com a Social Democracia. Esses dois partidos juntos tinham a maioria no parlamento e a maioria da classe trabalhadora e poderiam ter derrotado os Nazistas. O grande problema deles foi seu oportunismo e sectarismo.

O partido comunista era orientado, nessa época, pela terceira internacional, organização que havia sido fundada por Lênin e Trotsky para organizar a revolução mundial. Infelizmente essa expectativa foi frustrada, pois os trabalhadores foram traídos pelas suas direções.

Isso gerou uma crise na União Soviética, pois o país ficou cada vez mais isolado. Lênin morre em 1924 e Trotsky é exilado, em 1927. Com isso, Stálin dirige o país e a internacional a partir de seus interesses e de seus amigos burocratas, levando assim a derrota de várias revoluções no mundo todo.

Hiltler se utilizou do medo das classes médias da revolução comunista e se aproveitou da divisão da esquerda para chegar ao poder. A unidade desses dois partidos sobre a base de um programa revolucionário impediria a ascensão nazista, mas isso não aconteceu. Stálin, presidente da União Soviética, preferia deixar os nazistas chegarem ao poder, que se unir com os Sociais Democratas.

Não há como falar em “mal” nazista ou “bem” liberal. O que existe é um sistema de classes.  Reduzir essa luta entre o Bem ou Mal é simples, mas não explica nada. O Nazismo é a última cartada da burguesia para evitar a revolução proletária, por isso, sua principal ação foi esmagar as organizações da classe trabalhadora.




[1] Trotsky, león. Programa de Transición. México. 1° Ed. Centro de estúdios Carlos Marx, 2010. 
[2] Todas as informações sobre a história da HQ do herói foram retiradas do site: http://www.universohq.com
[3] Grandes empresários norte americanos

domingo, 31 de julho de 2011

Interpol - Stella Was a Diver and She Was Always Down (live)

nterpol - Stella Was A Diver And She Was Always Down
(Tradução)

Stella era uma mergulhadora e estava sempre abaixo


Quando ela caminha pela rua
Ela sabe que existem pessoas
a espiando
As frentes dos prédios são somente frentes
Para esconder as pessoas a espiando

Mas uma vez ela
caiu na rua
Num bueiro naquele caminho ruim
As goteiras do subsolo
Era como seus tempos de mergulho

Dias
Vergonha
Dias
Vergonha

Ela estava bem porque o mar era tão impermeável, ela
fugiu
Ela estava bem mas ela não pode sair hoje à noite,
ela
fugiu
Ela estava bem porque o mar era tão resistente,
impermeável

Ela fugiu, fugiu


No fundo do mar ela
reside
No fundo do mar ela reside
De fendas
acariciadas por dedos
Em inchaços de serpentes gordas e
azuis
Stella, Stella, Stella, Stella eu te amo

Ela estava bem porque o mar era tão impermeável, ela
fugiu
Ela estava bem mas ela não pode sair hoje à noite,
ela
fugiu
Ela estava bem porque o mar era tão resistente,
impermeável
Ela fugiu, fugiu

Bem, ela era meu
brinquedo sexual catatônico, mergulhadora de amor e
prazer
Ela ia fundo, fundo, fundo lá no oceano
Sim, ela ia
fundo, fundo, fundo lá, fundo por mim. Vamos lá!

Muito bom! Sim! Vamos lá!

(Há uma coisa que é
invisível
Há coisas que você não pode esconder
Tentar
te detectar quando eu estou dormindo
Num aceno você diz
adeus...



domingo, 24 de julho de 2011

Amy....

video

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sinal Divino


sábado, 16 de julho de 2011

Não vou me adaptar


Conversei com uma amiga sobre a mudança nas pessoas. Talvez seja a única certeza absoluta que podemos ter. Nada dura para sempre, tudo perece frente ao tempo. Tudo tem um início, meio e fim. Tudo tem que mudar. E um grego já sabia disso há muito tempo.

Com as pessoas é assim. Muitos nascem cristãos, mas morrem ateus. Nascem descrentes e morrem crentes. O fim assusta. Logo, por mais que nosso conhecimento diga que muitas coisas estão erradas e não são reais.  A pressão do meio é mais forte, muitos se adaptam.

Como a água toma a forma do recipiente, muitos preferem tomar a forma do meio. Preferem se deixar levar pelas margens opressoras, como dizia um poeta alemão.

Não condeno aqueles que assim preferem. Cada um sabe a cruz que carrega, mas não posso aceitar isso. Muitas vezes, conheço alguns exemplos, isso significa o fim da personalidade.

Desistem de lutar, por estarem calejados, por não conseguirem enxergar uma saída ou por quererem se livrar do incomodo. Trocam a farda pela vida civil. Não conseguem ver sentido nas dúvidas, mas vem na certeza de um cotidiano comum, sem nada além da simples rotina.

A idade é o grande vilão disso tudo. Ela pressiona, arrasta e pesa frente ao tempo. Ela nos amarra pesos aos pés que não nos deixam caminhar.

Não vou me adaptar, não deixarei me moldar. Se for preciso mudar, que seja o campo da batalha, que aprofunde os conceitos já assimilados e que a mudança vá ao encontro de nossa utopia.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A MELHOR PROFISSÃO DO MUNDO

"Há uns cinqüenta anos não estavam na moda escolas de jornalismo. Aprendia-se nas redações, nas oficinas, no botequim do outro lado da rua, nas noitadas de sexta-feira. O jornal todo era uma fábrica que formava e informava sem equívocos e gerava opinião num ambiente de participação no qual a moral era conservada em seu lugar." 

"Não haviam sido instituídas as reuniões de pauta, mas às cinco da tarde, sem convocação oficial, todo mundo fazia uma pausa para descansar das tensões do dia e confluía num lugar qualquer da redação para tomar café. Era uma tertúlia aberta em que se discutiam a quente os temas de cada seção e se davam os toques finais na edição do dia seguinte. Os que não aprendiam naquelas cátedras ambulantes e apaixonadas de vinte e quatro horas diárias, ou os que se aborreciam de tanto falar da mesma coisa, era porque queriam ou acreditavam ser jornalistas, mas na realidade não o eram." 

"O jornal cabia então em três grandes seções: notícias, crônicas e reportagens, e notas editoriais. A seção mais delicada e de grande prestígio era a editorial. O cargo mais desvalido era o de repórter, que tinha ao mesmo tempo a conotação de aprendiz e de ajudante de pedreiro. O tempo e a profissão mesma demonstraram que o sistema nervoso do jornalismo circula na realidade em sentido contrário. Dou fé: aos 19 anos, sendo o pior dos estudantes de direito, comecei minha carreira como redator de notas editoriais e fui subindo pouco a pouco e com muito trabalho pelos degraus das diferentes seções, até o nível máximo de repórter raso. 

A prática da profissão, ela própria, impunha a necessidade de se formar uma base cultural, e o ambiente de trabalho se encarregava de incentivar essa formação. A leitura era um vício profissional. Os autodidatas costumam ser ávidos e rápidos, e os daquele tempo o fomos de sobra para seguir abrindo caminho na vida para a melhor profissão do mundo - como nós a chamávamos. Alberto Lleras Camargo, que foi sempre jornalista e duas vezes presidente da Colômbia, não tinha sequer o curso secundário. 

A criação posterior de escolas de jornalismo foi uma reação escolástica contra o fato consumado de que o ofício carecia de respaldo acadêmico. Agora as escolas existem não apenas para a imprensa escrita como para todos os meios inventados e por inventar. Mas em sua expansão varreram até o nome humilde que o ofício teve desde suas origens no século XV, e que agora não é mais jornalismo, mas Ciências da Comunicação ou Comunicação Social. 

O resultado não é, em geral, alentador. Os jovens que saem desiludidos das escolas, com a vida pela frente, parecem desvinculados da realidade e de seus problemas vitais, e um afã de protagonismo prima sobre a vocação e as aptidões naturais. E em especial sobre as duas condições mais importantes: a criatividade e a prática. 

Em sua maioria, os formados chegam com deficiências flagrantes, têm graves problemas de gramática e ortografia, e dificuldades para uma compreensão reflexiva dos textos. Alguns se gabam de poder ler de trás para frente um documento secreto no gabinete de um ministro, de gravar diálogos fortuitos sem prevenir o interlocutor, ou de usar como notícia uma conversa que de antemão se combinara confidencial. 

O mais grave é que tais atentados contra a ética obedecem a uma noção intrépida da profissão, assumida conscientemente e orgulhosamente fundada na sacralização do furo a qualquer preço e acima de tudo. Seus autores não se comovem com a premissa de que a melhor notícia nem sempre é a que se dá primeiro, mas muitas vezes a que se dá melhor. Alguns, conscientes de suas deficiências, sentem-se fraudados pela faculdade onde estudaram e não lhes treme a voz quando culpam seus professores por não lhes terem inculcado as virtudes que agora lhes são requeridas, especialmente a curiosidade pela vida. 

É certo que tais críticas valem para a educação geral, pervertida pela massificação de escolas que seguem a linha viciada do informativo ao invés do formativo. Mas no caso específico do jornalismo parece que, além disso, a profissão não conseguiu evoluir com a mesma velocidade que seus instrumentos e os jornalistas se extraviaram no labirinto de uma tecnologia disparada sem controle em direção ao futuro. 

Quer dizer: as empresas empenharam-se a fundo na concorrência feroz da modernização material e deixaram para depois a formação de sua infantaria e os mecanismos de participação que no passado fortaleciam o espírito profissional. As redações são laboratórios assépticos para navegantes solitários, onde parece mais fácil comunicar-se com os fenômenos siderais do que com o coração dos leitores. A desumanização é galopante. 

Não é fácil aceitar que o esplendor tecnológico e a vertigem das comunicações, que tanto desejávamos em nossos tempos, tenham servido para antecipar e agravar a agonia cotidiana do horário de fechamento. 

Os principiantes queixam-se de que os editores lhes concedem três horas para uma tarefa que na hora da verdade é impossível em menos de seis, que lhes encomendam material para duas colunas e na hora da verdade lhes concedem apenas meia coluna, e no pânico do fechamento ninguém tem tempo nem ânimo para lhes explicar por que, e menos ainda para lhes dizer uma palavra de consolo. 

"Nem sequer nos repreendem", diz um repórter novato ansioso por ter comunicação direta com seus chefes. Nada: o editor, que antes era um paizão sábio e compassivo, mal tem forças e tempo para sobreviver ele mesmo ao cativeiro da tecnologia.

A pressa e a restrição de espaço, creio, minimizaram a reportagem, que sempre tivemos na conta de gênero mais brilhante, mas que é também o que requer mais tempo, mais investigação, mais reflexão e um domínio certeiro da arte de escrever. É, na realidade, a reconstituição minuciosa e verídica do fato. Quer dizer: a notícia completa, tal como sucedeu na realidade, para que o leitor a conheça como se tivesse estado no local dos acontecimentos." 

"O gravador é culpado pela glorificação viciosa da entrevista. O rádio e a televisão, por sua própria natureza, converteram-na em gênero supremo, mas também a imprensa escrita parece compartilhar a idéia equivocada de que a voz da verdade não é tanto a do jornalista que viu como a do entrevistado que declarou. Para muitos redatores de jornais, a transcrição é a prova de fogo: confundem o som das palavras, tropeçam na semântica, naufragam na ortografia e morrem de enfarte com a sintaxe. 

Talvez a solução seja voltar ao velho bloco de anotações, para que o jornalista vá editando com sua inteligência à medida que escuta, e restitua o gravador a sua categoria verdadeira, que é a de testemunho inquestionável. De todo modo, é um consolo supor que muitas das transgressões da ética, e outras tantas que aviltam e envergonham o jornalismo de hoje, nem sempre se devem à imoralidade, mas igualmente à falta de domínio do ofício. 

Talvez a desgraça das faculdades de Comunicação Social seja ensinar muitas coisas úteis para a profissão, porém muito pouco da profissão propriamente dita. Claro que devem persistir em seus programas humanísticos, embora menos ambiciosos e peremptórios, para ajudar a constituir a base cultural que os alunos não trazem do curso secundário. 

Entretanto, toda a formação deve se sustentar em três vigas mestras: a prioridade das aptidões e das vocações, a certeza de que a investigação não é uma especialidade dentro da profissão, mas que todo jornalismo deve ser investigativo por definição, e a consciência de que a ética não é uma condição ocasional, e sim que deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro. 

O objetivo final deveria ser o retorno ao sistema primário de ensino em oficinas práticas formadas por pequenos grupos, com um aproveitamento crítico das experiências históricas, e em seu marco original de serviço público. Quer dizer: resgatar para a aprendizagem o espírito de tertúlia das cinco da tarde. 

Um grupo de jornalistas independentes estamos tratando de fazê-lo, em Cartagena de Indias, para toda a América Latina, com um sistema de oficinas experimentais e itinerantes que leva o nome nada modesto de Fundação do Novo Jornalismo Ibero-Americano. É uma experiência piloto com jornalistas novos para trabalhar em alguma especialidade - reportagem, edição, entrevistas de rádio e televisão e tantas outras - sob a direção de um veterano da profissão." 

"A mídia faria bem em apoiar essa operação de resgate. Seja em suas redações, seja com cenários construídos intencionalmente, como os simuladores aéreos que reproduzem todos os incidentes de vôo, para que os estudantes aprendam a lidar com desastres antes que os encontrem de verdade atravessados em seu caminho. Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. 

Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

(Publicado no Observatório da Imprensa. Agradecemos a Luís Antônio Nikão Duarte, da Agência Jornal do Brasil, o envio do texto original do discurso de García Márquez.